Chico Carpinteiro, Alcindo Vale, Francisco Guerreiro
Passados
39 anos, fica a nostalgia de um tempo de ilusões colectivas e causas
vividas até ao limite. Com o passar do tempo, foram afogando os ideais e afundando
as convicções num mar de ambições, desvirtuando e atraiçoando a génese do 25 de
Abril. Apesar de tudo, ainda subsiste o essencial: a liberdade. Difícil de
explicar (aos jovens) quando ela existe, mas mais difícil de compreender e aceitar a
quem se viu privada dela.
Perdoou-me o atrevimento, mas sou uma velha triste, melancólica, e
comove-mo quando vejo o nome do C. O. Pechão nos cabeçalhos. Aquece-me a alma.
É uma verdade elementar. O que tem feito
pelo Pechão não passa desapercebido a ninguém. A principal qualidade da paixão é
a força, e essa é a sua principal arma. O êxito que temos tido, não é gratuito
muito menos fortuito, mas fruto das suas ideias bem delineadas e sabiamente operacionalizadas.
Todos assumiram que o objectivo da equipa era fazer um campeonato
calmo e tranquilo, você não esteve de acordo e brindou-nos com jogos vibrantes
e excitantes. Uma classificação a meio da tabela era a previsão, não se
conformou, e deu-nos o pódio. Levantou o rabo do sofá a muitos
cépticos e trouxe-os ao Pavilhão. Aos sarcásticos que criticavam a existência de demasiada juventude no
plantel, demonstrou-lhes que a qualidade não tem cartão de cidadão. Aos atletas
dizia-se que eram vulgares, qual feiticeiro, transformou-os em heróis. Normalmente os treinadores
são remunerados, você paga do seu bolso para treinar. Não o compare à Madre
Teresa porque ela deu o seu apoio ao regime do ditador Duvalier, no Haiti, e
não quero ofendê-lo.
Sei que entrou na vida do Pechão por acaso, mas não é por acaso
que se mantêm sem data para sair. O meu desejo é que o Clube renove o seu contrato
por mais 99 anos, sem cláusula de rescisão e com direito de preferência por
mais 50 anos. É muito? Não. É apenas o desejo de continuar perto de nós.
Suponho, que tal como a maioria dos jovens detesta beijos de
velhas, mas não pude evitar, e já lhe enviei um, deve estar neste momento a
sobrevoar Bela-Curral.
Uma parte para controlar a outra para deslumbrar. Começaram seguros a defender e não correram riscos a atacar. Uma boa estratégia para serenar a ansiedade e injectar confiança. Ao intervalo, o treinador fez uma substituição que se revelou fundamental; saiu o calculismo para entrar a alma. A equipa fez uma 2ª parte notável. Controlou o jogo, acelerou a preceito e temporizou com critério, tudo em alta rotação e a funcionar harmonicamente. Mas, de tantas tarefas que tinha por fazer, esqueceu-se de uma: a password que abria a baliza do Farense. Ainda com o resultado em branco, o Pechão esbanjou oportunidades de golo mais que suficientes para chegar ao céu. Teve tudo, menos eficácia. Apenas quando o relógio se aliou ao adversário, e o Márcio controlou o sistema nervoso se lembrou que “determinação” era a palavra - chave. Tarde, mas a tempo de ressuscitar. O empate a um minuto do fim, e empurrada por uma torrente de entusiamo fazia prever um prolongamento merecido. Pena que no último suspiro do relógio, o fantasma da desconcentração tenha ensombrado a equipa. Uma final agridoce, que nos deixa água na boca para a próxima época
A equipa correu, foi agressiva, bateu-se olhos nos olhos, a organização e o modelo de jogo estiveram presentes, e os jogadores deram tudo. Então o que falhou perguntam vocês?
A superação. Essa arma que tem sido a imagem de marca da equipa. Disputar a 1ª Final na curta carreira de um jovem jogador, é como a primeira paixão. A ansiedade, a excitação e o medo de falhar, aumentam o ritmo cardíaco mas retiram discernimento e lucidez.
Nada melhor que a segunda vez, pois graças aos erros que cometeste na primeira, podes, analisar, corrigir, e preparares-te para melhorar a tua performance. Ah! E as claques não marcam golos.
Campo do
Viriato (1962). Foto enviada pelo Danilo.
Apesar de
passarem nove anos a claque colorida continua jovem e activa. É a foto tirada
no tempo em que não havia luz eléctrica, nem água canalizada que suscita mais
curiosidade.
Um perfeito quebra-cabeças
reconhecer estas ilustres adeptas.
Um teste complicado à minha
memória coberta de
bolor e enredada de teias de aranha.
A
Luísa Marcos, fogosa, com óculos escuros e penteado à Brigitte Bardot; com o
cabelo apanhado, e sorriso cândido a Idalinda Cadeiras; posse confiante, colar
a condizer e franja da moda a Maria Francelina; no ponto mais alto, toda
janota, com penteado à Madalena Inglésias parece-me a Helena Canário; comedida
e compenetrada a Maria Celeste esforça-se para não se fazer notar. Elegante, com
uma finíssima saia plissada, a Aniceta; a menina do chapéu branco e de tranças,
suponho que é à Custódia Marcos, ao lado, presumo que seja a Valentina Pé de
Grão, com indumentária mais apropriada para a catequese do que para um jogo de
futebol. As meninas, ainda consigo discernir. Os meninos, que hoje serão uns
cinquentões, por muito que agite a minha cachimónia, não chego lá, só
suposições. Mas o
meu preferido é o que está no lado esquerdo, emboscado na sombra, assustado com a
máquina fotográfica.
Depois da expulsão de um jogador do M. Alvorense e da invasão da
chuva no Pavilhão, o jogo recomeçou como tinha sido interrompido - o Pechão em
superioridade numérica a procurar o golo. Se a estratégia era boa, melhor ficou
depois do André finalizar uma transição perfeita. Assim, começou a jogar como
mais gosta: 1ª e 2ª linha próximas, cortar linhas de passe, atitude agressiva,
e transições ofensivas em alta voltagem.
Em desvantagem, com tempo a escassear e o resultado a avolumar, o
treinador adversário mandou avançar o Guarda - Redes e abrir a baliza. Um doce para a boa
organização defensiva, e uma tentação para o tiro ao alvo dos jogadores do
Pechão. Estranhamente e injustificadamente, aqui e ali, notaram-se alguns
sinais de ansiedade e tomadas de decisão precipitadas. Provavelmente alguém
descurou o treino invisível. Apenas um detalhe, numa vitória limpinha e
saborosa da melhor equipa.
Mais um contratempo na minha rotina.
Depois da Farmácia e da Caixa Agrícola, hoje fechou o Supermercado. Resta-me a Celeste
para comprar a paparoca. A Olhão, vou trocar o Vale da minha esquelética reforma
e comprar as doses para o colesterol e a tensão. Uma canseira e uma
apoquentação para quem os anos roubam as forças e baralham o juízo.
Só a vitória interessava aos M.
Alvorense, e foi o que procuram com uma pressão alta quase asfixiante. Uma
escorregadela do Valdir em zona vermelha deu golo, e a pouca profundidade
ofensiva, pôs a bancada nervosa. Mas, o treinador tinha o plano de jogo bem
definido e nunca o alterou. Nem em função do golo sofrido nem dos nervos dos
adeptos. Apenas, lhe conferiu outra dinâmica, com a entrada estratégica do Nuno.
Rapidamente começou a provocar desequilíbrios, e a quebra física do adversário (pressionar
como se não houvesse amanhã, mais cedo ou mais tarde acabas por dar o estouro)
deu-lhe o espaço que ele adora.
Depois, quando o Pechão estava
por cima, (a jogar 5x4) e esperava-se pelo golo, chegou a chuva dentro do
Pavilhão, e acabou com jogo.
Incrível como há tantos anos, as mentes
brilhantes que e o administraram e administram sabendo que o telhado necessita
de ser reparado não mexeram uma palha. E mais não digo porque estou
bem-disposta; acabei de tirar os folares do forno e um brandeirinho com chouriça caseira. Está a arrefecer à minha espera.
Goste-se ou não, o homem é uma
estrela da política. Faz o que quer das palavras, molda-as a seu jeito como se estivesse
a brincar com plasticina. No momento apropriado atira-as violentamente aos seus
adversários com a precisão de um sniper
e, entre subtilezas e interpretações subjectivas esquiva-se habilmente às que não
lhe convém. Desmonta e enreda qualquer argumento por mais sustentado que seja com
a mestria de um especialista em desactivar bombas. Quando lhe apontam o dedo,
enrola-se e contra-ataca perfurante como o ouriço quando sente o perigo. Defendeu-se,
atacando.
Mas por muito requintada e brilhante que tenha sido a sua actuação convém lembrar que -, nem todas as estrelas indicam caminhos.
O Festival começou na Fonte Nova, tendo como pano de fundo o
poço da amendoeira e o lavadouro. O enfoque essencial era o concurso de folares,
abrilhantado por música popular e folclore. Ano após ano o sucesso foi contínuo
até que, o recinto tornou-se pequeno para os visitantes, o estacionamento
insuficiente para os carros e, o cheiro amargo do esgoto incompatível com o aroma
adocicado dos folares.
Com a mudança para o Polidesportivo, perdeu-se a fórmula
da Lígia, mas encontrou-se a receita para os cofres do Clube. A venda de
folares tornou-se um sucesso. As mudanças são regeneradoras de esperança e
devem ser aproveitadas, mas um conceito diferente (novo) acarreta algumas vezes
situações que não foram antecipadas, e o bom senso aconselha a não ignora-las.
Ontem, nuvens plúmbeas amedrontaram as pessoas que tinham
intenção de ir, e um órgão a debitar sons estridentes, afugentou as que lá
foram. Escangalharam o Festival. Foi pena.
Sei que o Gaspar farto do campo e do ócio, desce frequentemente ao centro da Aldeia e instala-se num lar de acolhimento, onde usufrui de mordomonias e miminhos extras. Em questões de xixi e cocó é muito prático, e alivia-se sem preconceito onde der mais jeito. Mas como cada casa tem o seu preceito, está a levar exaustivas lições de etiqueta. Já me garantiram que um dia, ainda o vamos ver a comer de faca e garfo.
Pior que censurar o governo anterior, ou criticar o actual, é não acreditar no próximo. Sinceramente, não vislumbro nem à direita nem há esquerda, alguém desempoeirado que nos tire deste buraco e nos empurre para a frente. Ter opções e não acreditar nelas é mais que um problema, é uma tragédia.
O Pechão foi uma equipa na verdadeira acepção da palavra. Com a estratégia perfeitamente assimilada, princípios bem definidos,agressividade defensiva, jogadores solidários e uma enorme disciplina táctica. Uma vitória da organização e do colectivo. Muito trabalho de casa e carradas de competência dos treinadores.
Destaques
Ivan – Foi a alma da equipa. Agressivo, rápido, e empolgante. Exala entusiamo por todos os poros, contagia a equipa e a assistência. Ser capitão ajuda-lhe a moderar os excessos, e confere-lhe legitimidade para fazer o que gosta: motivar. Alem disso, tem um braço elegante e a braçadeira assenta-lhe bem.
Valdir – Não dá muito nas vistas, mas fez um jogo impressionante. Foi o coração da equipa e esteve sempre em ligação directa à mente do treinador. Sempre no sítio certo, ora na contenção, na cobertura ou a conferir equilíbrios. Tomadas de decisão acertadas (a assistência para o 2º golo é um regalo), inúmeras recuperações de bola, mas sobretudo, umagrandeconcentração competitiva.Por momentos, tive a sensação que tinha sido abençoado pelo Dom da ubiquidade.
Alexandre – 17 aninhos, e já está um nível acima de muitos, na forma como controla a ansiedade e dribla a pressão. Já percebe o jogo e as ideias do treinador, melhorou imenso nas transições defensivas. Tem de habituar-se à velocidade do jogo e aprender a travar o excesso de entusiamo, consequência disso, perdeu algumas bolas em zona proibida que desequilibraram a equipa.A boa organização da equipa potencia as suas qualidades. É elegante a movimentar-se mas, quando a bola lhe chega aos pés: é classe e mais classe.
sexta-feira, 8 de março de 2013
A Tia Arlapa a dar os primeiros passos num aposento mais chique.
Gosto da preocupação da Junta Freguesia em informar atempadamente o incómodo que possa surgir, mas, não gosto do desconforto que a palavra “farmácia” me provoca.
"A atleta algarvia Ana Cabecinha bateu este sábado, em Pombal, o recorde nacional de 3.000 metros marcha em pista coberta, com a marca de 12.21,56 minutos, durante a primeira jornada os campeonatos de Portugal A atleta do Clube Oriental de Pechão derrubou o mais antigo recorde nacional de pista coberta, que pertencia a Susana Feitor, com 12.21,7, desde 1994...." Aqui.
Não é a preferida dos mass media da capital, nem tão pouco se esforça para isso. Protegida pelo seu Anjo da Guarda, treina no Paraiso, por entre o sorriso dos malmequeres e as vénias do balanco.Não se lhe conhece ódios, rancores, nem fantasmas do passado. Prima pela simplicidade e exprime-se com sinceridade. Em competição, quem olha para ela não a associa a uma campeã. Mas deixem-na impor o seu ritmo e, vão surpreender-se.O que era uma afável e discreta colega, passa a ser uma temível concorrente.
O estudo de impacte ambiental sobre a variante de Olhão à EN 125 está em fase de consulta pública até 9 de janeiro. De acordo com a autarquia olhanense, o estudo e o resumo não técnico podem ser consultados na Agência Portuguesa do Ambiente, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e na Câmara Municipal de Olhão assim como no site da CCDR. O resumo não técnico pode ainda ser consultado nas juntas de freguesia dePechão e Quelfes onde também podem ser entregues sugestões e opiniões sobre o projeto em causa.
Os contributos podem ainda ser encaminhados por escrito à CCDR Algarve até 9 de janeiro altura em que os responsáveis irão analisar e considerar as propostas recebidas.Aqui.
(...continua a manter-se a “ameaça” de extinção em quatro freguesias de Lagos (Barão de São João, Luz, Santa Maria e São Sebastião), três de Faro (São Pedro, Montenegro e Conceição), três de Olhão (Olhão, Fuseta e Pechão), duas de Albufeira (Guia e Olhos de Água), bem como uma em Alcoutim (Pereiro), Aljezur (Bordeira) e Vila do Bispo (Barão de São Miguel).)Aqui.
Hoje, a minha curiosidade foi mais forte que a minha descrição e, informei-me sobre a situação do João e o Joaquim. “Estão enrascados” – foi a resposta.
A vida não lhes proporcionou opções melhores, não as procuraram, nem se preocuparam. Puseram-se a jeito. Preferiram viver o dia-a-dia, recheada de excessos, para anestesiar as dores e mascarar a realidade. Sem qualquer perspectiva de futuro. Como se previa, tropeçaram no seu próprio destino.
Vivem no quintal de uma casa da Autarquia. Doentes, necessitados e sem apoio, apenas contam com o apoio diário de duas sexagenárias e ocasionalmente com a ajuda de algumas almas caridosas. Continuando, assim, coerentes com a sua filosofia de vida - vão-se desenrascando.Até quando?
Afinal, o que está realmente a falhar? Falhou a noção da responsabilidade do João e do Joaquim e, está a falhar, a noção de dever das redes de apoio social.
(… A principal baixa no plantel prende-se com Jorge Vale. O jovem médio, que chegou a Loulé por empréstimo do Olhanense, no início desta época, ainda não debelou com sucesso um problema no joelho direito, pelo que a estreia com as cores do Louletano será adiada por mais alguns dias…)
Gostava de lhe perguntar se por acaso se lembra da letra da música das antigas Danças Tradicionais de Pechão ?Lembro-me que começava deste modo:
" Cá em Pechão é antiga a nossa dança
e a tradição que é mantida não se cansa..."
Não me recordo do resto, será que me consegue ajudar?Obrigado pela atenção.
Caro conterrâneo
Infelizmente, uma pequena parte do meu cérebro que ainda se vai mantendo activa já não armazena essa informação. Cheguei a cantarola-la muitas vezes, mas, as células vivas que vão partindo e a Alzheimer que vai chegando, encarregam-se de ir apagando o resto.
De qualquer forma, não perca a esperança, é bem provável que alguém que mantenha a memória fresca e o espírito de solidariedade activo, nos possa dar uma ajuda.
Para os mais nostálgicos, a foto é das antigas Danças Tradicionais e, ainda reconheço o Lourival, a Marcinia e o pai, (Tio Angelino), a Lurdes (mãe do Vítor Norte), a Susana Silva, Pereirinha (esposa do Constantino), o João Custódio (acordeão) e o ensaiador José Norte (avô do Laurentino).
A Festa de Pechão e a Procissão sempre estiveram umbilicalmente ligadas. Assisti a Festas no mês de Setembro, acompanhei a mudança para Agosto, e sempre conheci a Procissão a sair pelas ruas de Pechão com o S. Bartolomeu de faca em riste a liderar o cortejo, no Domingo da Festa. Não imagino um argumento consistente, nem uma razão irreversível para acabar (ou interromper) uma tradição secular. Mais parece uma má vontade disfarçada de inevitabilidade. Por estar ultrapassada no tempo e presa a preconceitos, tenho dificuldade em aceitar, mas, os novos tempos são terreno fértil para germinarem sentimentos opostos: a indignação e a resignação. Como já me faltam as forças para a revolta, resta-me acender uma velinha à Nossa Senhora. E rezar, aos homens de boa vontade.
"Junto tenho o prazer de enviar uma fotografia cedida pela Sra. Fernanda Ameixeira para fazer o favor de publicar, a foto foi tirada junto a escola primária feminina de Pechão em 1956, situada onde hoje mora a Cristina Cabeleireira, e se reconhece algumas alunas como a Fernanda Ameixeira, Rosa Paté, Rosinda Espanha, e a Odete Chouriça e, ao fundo entre a porta a professora Dona Maria do Ó, o resto dos elementos da foto é para as pessoas as identificarem. A fotografia é da Fernanda Ameixeira."
Um abraço Danilo.
Também frequentei essa escola e também tive como professora a D. Maria dos Prazeres Martins do Ó mas, nos anos 40. E também levei muitas réguadas. A casa de banho e o refeitório eram ao ar livre na rua “Viegas da Quinta” outrora um caminho sombrio, apertado e empestado. Ovo frito no pão ou batatas-doces cozidas, eram os pratos do dia que transportávamos numa bolsa de pano. Para beber água, tínhamos que esperar na esquina do muro do José da Quinta que alguém a tirasse do poço para, nos encher uma pequena enfusa de barro que tínhamos na escola. Coisa que muitos faziam a contragosto, soltando enfadados a expressão: “ Lá vêm as moças da escola!”, ou, fulminavam-nos com um silêncio carregado de hostilidade. Nem sempre éramos bem sucedidas. Mas, felizmente existia um benemérito por perto; o Luciano Barbosa. Que tinha na taberna um pequeno depósito de água em cimento. E nós, por entre copos de vinho e cálices e aguardente, fazíamos fila por um copo de água. E ele, sempre com um sorriso genuíno e uma palavra reconfortante, matava-nos a sede e o estigma pejorativo dos utentes do poço. Na verdade, o verdadeiro mérito que o Luciano Barbosa tinha, é como a água; quanto mais profunda é, menos ruído faz.
Ao Danilo e à Fernanda Ameixeira o meu e o vosso muito obrigado.
Muitas vezes por preguiça e para evitar o esforço de analisar todas as opções disponíveis e viáveis, costume guiar-me pelo primeiro instinto. Foi o que aconteceu quando tive conhecimento da transferência da caixa multibanco do edifício da extinta caixa agrícola, para o edifício da Junta de Freguesia. O “sim” automático muitas vezes prega-me partidas, mas, nesta caso, por mais voltas que dê, não encontro melhor alternativa. O problema é que cada vez temos menos dinheiro para levantar, mas em contrapartida, temos uma enorme paciência.