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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

No Natal falta sempre alguém

Se há pessoas que sinto falta, é de ti. Então pelo Natal a dor no peito agudiza-se. Os bolinhóeis a boiar no óleo a ferver, as trutas prenhas de bata doce, e o teu ar atarefado ao comando da frigideira. Um ritual que nunca dispensavas.

Transpiravas, pelo calor e pelo nervoso miudinho, o medo de não ficar tudo na perfeição. Mas ficava. Porque tinhas a medida na mão, e a sabedoria no coração. Depois, vinham os fardos de alegria e de gula, que debulhávamos de boca cheia, enquanto o açúcar se esgueirava para os cantos da boca e o mel escorria por entre os dedos, e eu lambia. E tu sorrias. E afogavas os bolinhóies, numa tigela baça debruada a azul cheia de café preto.

Indefesa perante a melancolia, rumino a angústia, entrecortada com lágrimas vindas de uma ruga em forma de algeroz, engulo tudo, com uma tristeza que rasga e esventra-ma as certezas. E no silêncio entre o desgosto e a saudade, volta o travo amargo da realidade. E a dor no peito.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

na rota de gente boa (2)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

As Cores do Natal


"Ainda no concelho de Olhão, Pechão assinala o Natal com a exposição dos presépios “Figurinhas” e “Searinhas”, no edifício da Junta de Freguesia. A pensar nas crianças, o Espaço Multiusos da freguesia recebe a peça de teatro “Aventura no Sótão dos Sonhos”, pela Oficina de Teatro da Casa da Juventude de Olhão, dia 19, às 16h00.

No dia 18, a Junta de Freguesia de Pechão e o Grupo Motard de Pechão fazem a distribuição de bens alimentares a famílias carenciadas da freguesia."Aqui.

No ano  passado foi assim.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

na rota de gente boa

Comedores de batata - Van Gogh

No Natal de 1918, surgiu em Pechão um desconhecido de poucas palavras. Dizia ser de Monte Gordo, ninguém soube quem era nem como tinha chegado. Debilitado, esfomeado, e mal enroupado, foi tratado, alimentado, e acarinhado pelos nossos avós. Recuperado, animado, e com manjar para a viagem, seguiu o seu rumo. Consta que quando chegou à sua terra, teceu rasgos elogios, à bondade e hospitalidade das gentes de Pechão.

Em Monte Gordo, o turismo era uma miragem, o rigor do Inverno, e o mar inacessível previam o pior. Para enfrentar o flagelo da fome, aos mais necessitados só restava a mendicidade por outras paragens. Foi assim, e sempre na época do Natal, que Pechão ficou incluído no seu roteiro. Aproveitando a matança do porco, e um pouco mais de abastança, chegavam “os pobrezinhos de Monte Gordo”, como lhes chamavam.

Cantavam para anunciar a sua chegada, comiam, bebiam, e dormiam nos palheiros do João Gaguinho, Manuel João Calé, e do Tanganho. No dia seguinte de madrugada cantavam uma canção de despedida, com os sacos atestados de víveres, e o coração de felicidade, seguiam viagem… e até para o ano.