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quinta-feira, 3 de março de 2011

Tudo na graça do Senhor


Para além das considerações expostas aqui. O Padre Jorge protestou contra a circulação e estacionamento de carros pesados no átrio da Igreja. Aliás, frisou e sublinhou que: “o adro da Igreja é um espaço privado”.

Um bom acordo para ambas as partes, pintado em tons de concórdia e celebrado em paz no seio da família cristã. Sem dúvidas nem protestos.

A Junta de Freguesia assumiu a pintura da Igreja (uma referência da Aldeia e um monumento Nacional). É certo que vivemos num estado laico, em que nenhuma igreja ou comunidade deve ser discriminada relativamente às outras. Mediante isso e, por uma questão de coerência e imparcialidade, suponho, que o orçamento contemple uma ou duas latas de tinta para pintar a simpática Igreja dos Protestantes.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Homenagem dos vivos aos que já não estão

"Para se chegar à freguesia do Pechão, basta seguir o vulto da igreja, que se vislumbra da EN125, por se encontrar no ponto mais alto da localidade, por entre as amendoeiras figueiras e laranjais.
No largo da igreja de onde se desfruta uma bela vista, que em dias claros se estende até às ilhas arenosas da Ria, para antes passar pelos verdes frescos dos campos e os brancos do casario, há uma pequena Capela de Ossos exterior, construída em oitocentos.
O tempo poliu os que lá estão e fez desaparecer outros tantos, retirando-lhe o sentido tétrico. O que permaneceu é a homenagem singela dos vivos aos que já não estão". Daqui.
 
Conceição Branco

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Festim

Ontem fui à missa. A minha vizinha, fervorosa devota, chama-lhe o festim espiritual. Cheguei demasiado cedo. A frente da Igreja, estava inundada por um sol demasiado forte para a minha fraca resistência. Aproveito a boleia de uma nesga de sombra e encaminho-me até à Capela dos Ossos. Poucos falam sobre ela. Sinceramente, falar sobre ossadas esburacadas infestadas de pequenos bicharocos invisíveis, não é propriamente um tema interessante. 

É um local que me deprime. Um pouco sinistro. No que nos transformamos. No que ficamos. Uma escuridão assustadora mesmo debaixo da luz do sol invade-me os sentidos. Um silêncio sepulcral. Fico absorta por uns momentos. Engulo a angústia, baixo a cabeça e esgueiro-me para a Igreja. Onde me espera um ritual de purificação. Recupero a serenidade e retempero a alma. Porque quanto aos ossos, já vi o que os espera: um festim para a bicharada.