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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Serenata acalorada

Chegaram as vagas de calor e a algazarra das cigarras. O canto dos machos atrai as fêmeas e estimula o desejo de acasalar. Estas morrem após porem os ovos. Apesar disso,divertem-se como se não houvesse amanhã. Para quem vive na mansidão campo, rodeado de arvoredo e arbustos, conhece bem a sinfonia estridente que nos entra pelos poros, aloja-se nos tímpanos e, invade-nos o espírito.

Tenho uma alfarrobeira que arremessa uma pernada para o pátio. Dá-me sombra e um lugar para repousar. Apesar da idade, torna-se complicado descansar perante a ameaça de centenas de machos sedutores entrincheirados nas copas das árvores e, de uma atmosfera infestada de chamamentos libidinosos. Uma etérea tentação. Sei que existim mil e uma formas de morrer, mas pelo sim, pelo não, prefiro meter-me em casa, trancar a porta e, aferrolhar a janela.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

sábado, 19 de dezembro de 2009

de lamber os dedos



Em tempo de gripes, constipações, resfriados, e afins, nada melhor que umas colheradas de mel com elevado grau de pureza. Proveniente de abelhas nascidas, residentes, e recenseadas em Pechão. Extraído com paixão por mãos sábias, que conhecem todas as técnicas de manejo, usando e preservando métodos ancestrais, que tão bons sabores têm dado. Afinal ainda existem coisas, antigas, sadias, e…doces.

03/03/2008

sábado, 12 de dezembro de 2009

O meu rafeiro no Mondioring


                                        Um cão destes é que eu preciso.

Confesso a minha ignorância, mas desconhecia completamente o termo (Mondioring) para designar a destreza e a fidelidade dos cães. Apesar da idade, a única acrobacia que lhes vi fazer foi levantar a pata traseira para urinar contra a parede. Exceptuando o cão do Custódio Caixinha que sorrateiramente surripiava toucinho na venda do Zuca, e conseguia equilibrá-lo na boca (sem o comer) até chegar a casa (que não era nada perto).

Apesar de eu discordar, a minha neta insiste em levar o rafeiro à prova. Um dia apareceu-me à porta, perdido, escanzelado, e esfomeado. Eu dou-lhe de comida, ela faz-lhe carícias. 

Pressinto o que ambos querem é protagonismo e dar nas vistas. Diz-me que tem ensaiado uns truques, e vai provar-me que o cachorro tem valor. Porque eu subestimo-o, e  de vez em quando dou-lhe um “chega para lá”. Procuro desmotiva-la e digo-lhe que aquilo é para cães de elite, bem treinados e preparados. É um inútil e mal agradecido, rosna a quem lhe dá comida e abana o rabo a desconhecidos.

As habilidades que lhe conheço são, dormir e lamber-me os pés quando tem fome. Por muita vontade que tenha, e entusiasmada que esteja, o que ela desconhece é que, quem nasce rafeiro, morre rafeiro. Porém, apesar dos meus argumentos assertivos e demolidores, amanhã lá vão de baraço dado para a prova. Sorte a minha. Tenho uma neta teimosa, e um cão… burro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mondioring


Primeira prova de Mondioring no Algarve a decorrer em Pechão.

No próximo dia 13 de Dezembro, vai decorrer na zona desportiva de Pechão, a primeira Prova de Mondioring no Algarve, com início às 9h. Esta é uma prova organizada pelo Centro Treino do Monte Escrivão, em Pechão, que tem o objectivo de dar a conhecer esta modalidade à região, na qual irão estar presentes dezenas de cães vindos de toda a Europa, alguns dos quais já representaram Portugal no Mundial da competição alcançando lugares de pódio.

O Mondioring é um desporto muito exigente quer física quer psicologicamente e pretende avaliar o controlo que o dono tem sobre o seu cão, tal como as técnicas de treino aplicadas e o património genético do cão. Contempla exercícios de obediência, saltos e prova de coragem.
Esta iniciativa conta com o apoio da Junta de Freguesia de Pechão e da Câmara Municipal de Olhão.

J.F. Pechão
Nota à imprensa

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Crise não chega a Pechão





“No Hotel "DogSpa", uma casa de férias e relaxamento para cães de Pechão, em Olhão, a crise ainda não fez "check in" e poderá nem nunca fazer, pois a clientela é classe alta.

A directora da unidade de luxo para cães, Sandra Silva admite que este ano ainda "não sentiu muito a crise" e as razões para contornar a crise são sustentadas pela carteira de clientes ser vasta e pelo tipo de cliente se situar na "classe média-alta ou alta".

Nesta unidade hoteleira para cães uma diária ronda os 12 euros e inclui alimentação, desinfecção, música ambiente, passeios ao ar livre e aquecimento na "suite", se estiver frio.”
Observatório do Algarve


Plantado na encosta do Monte Escrivão, bafejado pela beleza da natureza, desfruta de condições ímpares para uma estadia principesca. Quartos ou suites, ar condicionado e room service. Pela manhã, e fim de tarde, ginástica. Corpos obesos transformam-se em manequins esculturais, músculos rígidos e tensos, em flexíveis e relaxados. O conceito do fast food é interdito, privilegiando cozidos e grelhados. Fruta em abundância, leite magro, e bolachas sem sal. Proibido fumar, e tolerância zero às bebidas alcoólicas. Lições de etiqueta para os rafeiros. Jovens esbeltas e bonitas, inspiradas nas Tailandesas, massajam extremosamente, ao som do chilrear dos passarinhos, do zumbido das abelhas do Mestre Costa, e da melodiosa sinfonia das ovelhas do António. Uma quietude saudável, num pequeno éden cravado no pulmão de Pechão. Gostava de ver o meu rafeiro no hotel a comer de faca e garfo. Expulso por indelicadeza. No mínimo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sete vidas


Não é o que pensam. A estrada da vida, tal como a asfaltada, é uma fonte de perigos e um ancoradouro de imprevistos. No Domingo passado, o meu gato, imprudente, apesar de avisos e sobressaltos, ignorou-os. Confundiu coragem com teimosia, e arrogância com segurança. Enquanto a vizinhança pronunciava este desenlace, ele, no alto da sua soberba censurou-os.

Moro no campo, e os ratos são um flagelo. Já pedi ao Elias um gato honesto, competente, e íntegro. Disse-me que de momento não tem nenhum com essas qualidades. É um espécime em vias de extinção. Aconselhou-me uma ratoeira, e esperar pela aproxima criação.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Anda cá Elias que eu não conheço este gajo !


Agradeço a foto, mas cuidado que ele está com cara de poucos amigos. Não gostou, ou não conheceu o fotógrafo, e o melhor é pôr-se ao fresco não vá a corrente partir-se.

sábado, 14 de março de 2009

O Gaspar


Afável, bonacheirão, de semblante acolhedor, uma mansidão. Não discrimina ninguém, conhecidos ou desconhecidos. A todos trata da mesma forma. Ou melhor, não trata. Ignora. Não chateia ninguém, está-se nas tintas para toda a gente, o que vindo dum cão, é o melhor elogio que se pode fazer.
Inexplicavelmente, ou não, quando avista algum gato, o santo cachorro transforma-se em fera letal. Os olhos ficam ao rubro, as ventas ofegantes, e os dentes afiados aniquilam a vítima com uma tranquilidade assustadora. Sem ponta de arrependimento, nem ressentimento. Digno de registo, e ao contrário de muito boa gentinha, é a impressionante coerência do animal, pois na hora de abocanhar os gatos, também não descrimina nenhum, seja: preto, branco, moreno ou alourado, o tratamento é idêntico. Para não falar à noite onde todos são pardos.
Para segurança do meu bichano, está em regime de prisão domiciliária, pois se continua a rondar a carrinha do peixe, tentando fisgar alguma cavala (na pior das hipóteses), esperando uma distracção do Assunção, corre o risco de nem miar, nem ter a extrema-unção.