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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jorge Vale com estreia adiada

(… A principal baixa no plantel prende-se com Jorge Vale. O jovem médio, que chegou a Loulé por empréstimo do Olhanense, no início desta época, ainda não debelou com sucesso um problema no joelho direito, pelo que a estreia com as cores do Louletano será adiada por mais alguns dias…)
“A Bola”- 14 Set. 2011

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Jogador


A minha neta chegou-me com a foto do cartaz e com uma pergunta: afinal o que tinha o Netinho de especial como jogador?

Para os que conheceram o Netinho como jogador de Futebol de Salão ninguém tem duvidas. Foi o melhor jogador que Pechão viu nascer. Para explicar aos mais novos as suas características, podemos fazer uma analogia com os craques da actualidade. Assim, possuía uma boa dose do repentismo e genica do Nuno Granja e, a técnica e inteligência do Jorge Vale, seu sobrinho-neto. A potência e a precisão do remate, não se podem comparar. Porque é incomparável.

E, isso chegou para fazer dele o melhor jogador? Perguntam os mais cépticos.
Chegou, porque a relação dele com a bola e com o Clube foi como um romance, em que a personagem vive um amor forte demais e, coloca a pessoa amada acima de tudo e de todos e, além do remate com marca registada, tinha o melhor do Nuno e do Jorge, só que… em dose dupla.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Memorial "Netinho"

Dizem que o tempo apaga tudo mas não é verdade: apenas apaga se nós deixarmos. Mesmo perante o silêncio que nos consome as entranhas e as palavras que o trazem a nós, nada melhor que deixar a sua memória fluir, naquilo onde ele era o melhor.

Faz no próximo dia 21 de Setembro, trinta e sete anos que nos deixou. Prevendo o que iria acontecer, escreveu este comovente artigo três meses antes do seu falecimento no jornal “Claridade”, órgão cultural e informativo do C.O. Pechão.

O enterro do pião

“A tarde estava fria. Fustigadas pelo vento invernoso de um Janeiro frio, e triste, as embarcações atracavam à velha doca dançavam ao sabor das ondas.
As nuvens cinzentas, sopradas pelo vento, seguiam em loucas correrias procurando chegar o mais depressa possível ao seu destino imaginário.
Um pequeno muro, branco de neve, protegia o hortejo do “Ti Joaquim”, velho dos seus setenta anos, cuja bondade o seu rosto transparecia. Às vezes o rapazio para o fazer zangar chamava-lhe “mirra” e ele todo arfava, barafustava e até às vezes corria atrás dos rapazes. Mas era só nesse momento; depois voltava para casa rindo e dizendo baixinho…”mirra”…”mirra”.
Era ali junto à sua horta, que a malta se juntava.
Hoje somente ali se encontravam cinco. Aos mais dias eram seis. Faltava o Talica, e de futuro faltaria sempre. Fora a enterrar havia poucas horas. O médico dissera que ele havia morrido com uma doença incurável. Todos os cinco trocaram olhares, sem se atreveram a falar. O vento parecia esbofeteá-los.Que faziam ali? Esperavam o Talica? Ele não viria mais. De repente o Jorge, o “cabeça de seta” ajoelhou-se. Na sua mão um pião luzia. Era o pião do Talica.Depois de ter aberto uma pequena cova enterrou-o. Afastou-se e nova cova abriu metendo nela o seu pião.
Movidos como autómatos, os restantes quatro haviam feito o mesmo, e num círculo cujo centro era o pião do Talica haviam enterrado também os deles.
Depois ergueram-se lentamente, olharam-se e começaram a soluçar. Do céu um raio de sol brilhou na tarde cinzenta.
Era o Talica que lhes agradecia.

“Neto (“Claridade” Maio de 1973”)