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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

… e agora?



...quem trata da horta, do olival, das alfarrobeiras e das amendoeiras? Uma geração de agricultores que se esfarrapou de sol a sol para deixar um legado, ficou sem forças para erguer a enxada. Vivem num paradoxo; em novos, pujantes, esfarraparam-se para dar aos filhos aquilo que eles nunca tiveram: instrução e carreira. Em velhos, debilitados e vencidos pela idade, clamam por um sucessor. Os herdeiros procuraram outra forma de vida, longe do desconforto do campo e perto da comodidade de um emprego. Ficam com a herança mas não sabem o que fazer com ela. Os progenitores, resignados ao relógio da vida, mortificam-se ao ver as árvores de fruto ressequidas e as batatas greladas por semear, e, num último sinal de esperança, desfazem-se dos bens e do rendimento de uma vida. Ficam apenas com os olhos… para chorar.

domingo, 9 de junho de 2013

O tempo não apaga tudo. (nem as pequenas coisas)


Desde a sua construção engracei com este pequeno oásis verde no centro da Freguesia. Passado pouco tempo apanhei uma imprevista desilusão. O canteiro fora destruído e substituído por um espaço para estacionar carros. Quem autorizou? Quem desautorizou? Promessas esquecidas que perderam a validade?

Nunca soube a verdadeira razão para uma decisão tão abrupta, mas creio que seja território inacessível à minha compreensão. Fica esta estranha forma de actuar de quem tem o poder de decidir: Demasiado fortes com os fracos, e estranhamente submissos perante os poderosos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rumos


 
Outrora o povo no alto da sua infinda sabedoria, atribuía nomes, por este ou aquele motivo associados a caminhos e lugares. Agora, são os representantes do povo que reinventam novos nomes, baseados em critérios históricos e fazendo justiça a algumas personalidades.

Desde a metáfora do caminho do afoga burros, à coerência do Caminho do Paraíso, a pessoalização da encruzilhada dos Moços do Zé Lopes, publicidade gratuita no Caminho do Sulbetão e, a origem para definir o destino na  Estrada de Tavira. Trajectos rotineiros, ocasionais, ou obrigatórios. Uns perto, outros nem tanto, tão longe para tantos, e no meio de nenhures para ninguém. Rumos novos, ou renovados.

Hoje, existem conceitos menos terra a terra, mais universais. As estrelas de outrora foram trocadas por  satélites inovadores. Bússolas abençoadas para viajantes perdidos, numa curva duvidosa ou num asfalto estranho. O encontro, ou reencontro com os outros, ou pelo Caminho da Missa, ao encontro de nós próprios.

domingo, 31 de julho de 2011

Escola sem água

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"Junto tenho o prazer de enviar uma fotografia cedida pela Sra. Fernanda Ameixeira para fazer o favor de publicar, a foto foi tirada junto a escola primária feminina de Pechão em 1956, situada onde hoje mora a Cristina Cabeleireira, e se reconhece algumas alunas como a Fernanda Ameixeira, Rosa Paté, Rosinda Espanha, e a Odete Chouriça e, ao fundo entre a porta a professora Dona Maria do Ó, o resto dos elementos da foto é para as pessoas as identificarem. A fotografia é da Fernanda Ameixeira."
Um abraço Danilo.

Também frequentei essa escola e também tive como professora a D. Maria dos Prazeres Martins do Ó mas, nos anos 40. E também levei muitas réguadas. A casa de banho e o refeitório eram ao ar livre na rua “Viegas da Quinta” outrora um caminho sombrio, apertado e empestado. Ovo frito no pão ou batatas-doces cozidas, eram os pratos do dia que transportávamos numa bolsa de pano. Para beber água, tínhamos que esperar na esquina do muro do José da Quinta que alguém a tirasse do poço para, nos encher uma pequena enfusa de barro que tínhamos na escola. Coisa que muitos faziam a contragosto, soltando enfadados a expressão: “ Lá vêm as moças da escola!”, ou, fulminavam-nos com um silêncio carregado de hostilidade. Nem sempre éramos bem sucedidas. Mas, felizmente existia um benemérito por perto; o Luciano Barbosa. Que tinha na taberna um pequeno depósito de água em cimento. E nós, por entre copos de vinho e cálices e aguardente, fazíamos fila por um copo de água. E ele, sempre com um sorriso genuíno e uma palavra reconfortante, matava-nos a sede e o estigma pejorativo dos utentes do poço. Na verdade, o verdadeiro mérito que o Luciano Barbosa tinha, é como a água; quanto mais profunda é, menos ruído faz.

Ao Danilo e à Fernanda Ameixeira o meu e o vosso muito obrigado.