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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Tem dias ...(1)


… em que sou atacada pela aquela ânsia parva que me leva a dizer sim, quando devia dizer, não. Ou, a falar, quando as circunstâncias aconselham o silêncio. Apenas, porque sim. Esta sucessão de derrotas contra os meus esqueletos amontoados no armário, deixam-me estarrecida . Num desconforto desalinhado, que se infiltra pelas frestas desta fragilidade incurável e me irriga as entranhas. Corroí e corroí. Engulo a angustia mas engasgo-me com o orgulho. Bato com a cabeça na parede. Arrependo-mo. Mas não aprendo.
  

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os rostos da alma



Está tudo lá. Sim, os rostos não escondem nada. Todos reconhecem a cartografia de cada ruga, cada linha, ou sulco. O franzido ao canto dos olhos denuncia as marcas de suor amontoado nas sobrancelhas. Os parênteses da boca são um fim em si mesmo: a concha protectora da família, sem jardins-de-infância nem lares para idosos. Para o confirmar, basta calcorrear as veredas na testa onde encontramos vidas apenas com dois propósitos, trabalho e família, sem agenda nem telemóvel. Seguindo o trilho das lágrimas, descobrimos suaves lembranças de beijos e abraços amorosos. Sim o amor, que é uma cegueira danada. Aquele vindo das entranhas embrulhado no nosso sangue. Indestrutível. O sombreado esconde um rosto entre as mãos a chorar às escondidas, sempre a fingir que não se passa nada. Tragédias e desgostos de mão dada. Mas é à noite, quando pousa o silêncio que tudo se agudiza: a elegia silenciosa, o vazio e as memórias, mas sobretudo as dores. Do corpo e da alma, onde pairam sombras negras que insistem em escurecer ainda mais uma existência amargurada. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Desalento

Pior que censurar o governo anterior, ou criticar o actual, é não acreditar no próximo. Sinceramente, não vislumbro nem à direita nem há esquerda, alguém desempoeirado que nos tire deste buraco e nos empurre para a frente. Ter opções e não acreditar nelas é mais que um problema, é uma tragédia.