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quinta-feira, 24 de março de 2011

Rumos


Longe vão os tempos em que norteávamos as nossas idas e vindas, por estrelas e referências da natureza. Os tempos tornaram-nos menos crédulos e fez-nos munir de manhas, ditos, alcunhas e, outros subterfúgios para expressar a nossa rota. Para cima, mais abaixo, vire à direita, esquerda, por tentativas, muitas vezes derrotados e perdidos.

Outrora o povo no alto da sua infinda sabedoria atribuía nomes, por este, ou aquele motivo, associados a caminhos e lugares. Desde a metáfora do caminho do afoga burros, à coerência do Caminho do Paraíso, à pessoalização da encruzilhada dos “Moços do Zé Lopes”, publicidade gratuita no Caminho do Sulbetão e, a origem para definir o destino - a “Estrada de Tavira”. Trajectos rotineiros, ocasionais, ou obrigatórios. Uns perto, outros nem tanto, tão longe para tantos, e no meio de nenhures para ninguém. Rumos novos, ou renovados.

Hoje, existe um conceito menos terra a terra e mais universal. O “GPS”, que trocou as estrelas de outrora por satélites inovadores. Bússolas abençoadas para viajantes perdidos, numa curva ou contra curva duvidosa num asfalto estranho. O encontro, ou reencontro com os outros, ou, pelo “Caminho da Missa”, ao encontro de nós próprios.

21/06/2008



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Veredas


 Existem as ocasionais, as dos outros e as nossas. Aquelas que construímos com os nossos passos. De ida e volta, uns mais rápidos, outros mais calmos, conforme a vontade e a urgência do momento. Tiramos o azimute, escolhemos e encolhemos o percurso, evitando obstáculos e mais demoras. É o nosso caminho em terra dos outros, feito de hábitos, ritmos e rotinas de anos e anos. Um dia a terra é lavrada. Desaparece -, mas, uma pegada e mais outra e num ápice vai ganhando a forma inicial. Temos o trajecto na memória, como as formigas de um carreiro. Fazem-nos falta, chega-se mais rápido ao destino que, quase sempre é a companhia dos nossos. Pontos de encontro, partilhados pelos mesmos rostos e as mesmas vozes. São os atalhos da memória, os carris do nosso contentamento.

28/09/2007

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Má forma

Depois de três meses a enferrujar, devido ao calor e à preguiça, hoje de manhã voltei às caminhadas. Acompanhada da minha vizinha e de uns quilos que não pedi, enveredei pela vereda da baixa do Fantosga. Infelizmente, bastaram cinco minutos a passo de caracol, para ficar com as pernas em chumbo, o coração nas mãos e os pulmões na boca. Na ânsia de olear as articulações e actualizar informações, constatei o obvio. Estou velha.