quinta-feira, 25 de julho de 2013

Alguém que me explique como se eu fosse muito burra o que se está a passar

As tropelias dos Socialistas

Os fregueses de Pechão sabem bem em que condições são que a farmácia saiu de lá, para ir para o Ria Shoping. Pois bem, agora o IFARMED pôs a concurso um posto em Pechão. O pressuroso presidente da Junta, que na altura nada fez, limitando-se a oferecer-se para ser um prestador de serviço ao seu camarada Mendes Segundo, agora resolveu oferecer os seus préstimos para conduzir a antiga directora da farmácia a encontrar um "sítio" onde pudesse instalar o no posto. Sabedor que a legislação obriga a um espaço com um mínimo de 100 m2, conduziu a senhora Segundo ao único espaço com essas dimensões, já que o outro existente era o da antiga farmácia. Quer dizer, a dita senhora ficando com o novo espaço, impede que haja mais alguém a poder candidatar-se. Os "socialistas" habituados à batota, gostam muito deste tipo de negócios ou porque estamos em pré-campanha e terá ali um potencial financiador. Os fregueses de Pechão irão perceber a manobra e irão penalizar o actual presidente da Junta e membro da lista. Estes "socialistas" nunca mais aprendem a trabalhar com lisura...

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A Misteriosa


Paulo Salero e a sua hippie dos anos 60. 
 

A primeira, a mais espectacular e mais controversa actuação da Misteriosa. Festa de Pechão, 1949. Ninguém sabe de que planeta veio mas ninguém ficou indiferente a tanto glamour. Posse sedutora, lábios vermelhos, sensual, num elegante vestido verde alface cingido a uma cintura de vespa, ornado por uma pregadeira dourada em forma de pétalas salpicada de brilhantes. Uma provocação descarada para qualquer macho, mesmo em idade para ter juízo. 

No palco cai nos braços do José Canário (avô da Helena). Movimentos ritmados numa harmonia divina. Agarrados como siameses, olhos nos olhos numa química perfeita. Ela hipnotizada num arfar lânguido, rende-se. Submissa. Ele entusiasma-se em todo o seu esplendor. Um roçanso malicioso aqui, e um apertanço manhoso ali, desperta a testosterona que num ápice entra em ebulição. Enquanto um abrasamento descontrolado incita as mãos a afoitarem-se por curvas perigosas, um arquear convida a uma espreitadela no decote generoso. Um fino catalisador que sustenta a magia presa por fios em plena combustão. Constrangido sustem a respiração, mas o sangue geme de vontade e fervilha de desejo… e não resiste ao beijo.

Aplausos e mais aplausos de uma plateia enfeitiçada que sorri com olhos gulosos. Falatório e burburinho (ou seria ciúme?) do sector feminino mais conservador pela ousadia e devastação da moral pública. Para o Compadre Zé Canário bastou meia hora no céu a brincar à felicidade para expiar a dura cadência da enxada e os fortes safanões do arado.

Os amantes da Misteriosa: José Canário, Afonso Henriques, Candinho e Paulo Salero.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Atrocidades de um deus menor




É fácil descobrir as impressões digitais de quem nos impôs este pesadelo. Os motivos são os do costume: lealdade para com a pátria, a “ordem” e a fé. O despertar foi dramático: morreram mais de 8 mil homens e ficariam feridos ou incapacitados cerca de 100 mil portugueses.

Apesar do tempo ainda é um tema que nos despedaça o coração. São lágrimas que já secaram e um desgosto devidamente arquivado na tribuna da memória. Nunca esquecido. 

Pechão chorou pelos seus filhos: O Afonso veio de Moçambique carregado de nuvens negras sobre o futuro, em vez do arco - íris do costume. O Joãozinho e o Pacheco (filho adoptivo) tiveram um inesperado encontro com as vicissitudes da guerra e não sobreviveram. Ficaram lá para sempre. Longe da vista, mas tão perto do coração. Sem corpos para velar, nem orações para encomendar, os únicos vestígios desses momentos de horror são os aerogramas da morte. Famílias trespassadas. Uma imensa escuridão onde a felicidade não entra. Vítimas inocentes da ganância desmedida de um deus menor.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Poço da Amendoeira





A azáfama começava ao pôr-do-sol mas era ao entardecer que se adensava. Os jumentos, obedientes e pacientes. As albardas de palha. As peculiares cangalhas de madeira e os indispensáveis cântaros de barro. Braços fortes, fracos, mas sobretudo enfezados, manejavam com perícia cordas atadas a baldes de zinco num sobe e desce frenético. Esculpiam sulcos no gargalo do poço e embutiam esgares de sofrimento em feições enrugadas. Numa curiosa mistura de angústia e felicidade, praguejávamos com o burro, o tempo, o rame-rame e o raio da sina que nos havia de calhar. Desabafos em ajuntamentos de afecto que o tempo levou. Um vida a preto e branco.

sábado, 29 de junho de 2013

64º Aniversário do C. O. Pechão


 
Aviso – Quem não for sócio do C.O.P. aconselho ir navegar por outros mares, porque neste desabafo não vai pescar nada de interessante.

Foi o discurso mais comovedor que o Presidente da Junta proferiu num Aniversário do Clube. O político e  cerebral Custódio Moreno ficou em casa a preparar a lista do PS para a Freguesia nas próximas Autárquicas. No seu lugar apareceu o Zeca. Despido de palavras de ocasião e discursos de plástico,  o Sócio que se contorce nas derrotas e vibra nas vitórias do Atletismo porque ainda não cortou o cordão umbilical, ligou o coração à boca, e inundou a sala com carradas de fervor  embaladas em paletes de afeto e, até eu, cheguei a morder o lábio e tive dificuldade em controlar uma lágrima atrevida. Porra pá! Onde andaste estes anos todos ?

Após 64 anos, foi a primeira vez que um  Presidente do Clube não discursou num aniversário. Prescindiu do microfone, da folha A4 formatada ao centro, com as pausas e ênfases sublinhados e renunciou ás cabulas milagrosas. Em vez de treinar ao espelho os gestos para elevar a oratória, optou por conversar com os associados, numa atmosfera informal, dizendo o que lhe ia na alma, as mãos  nos bolsos, a piada habitual, como se estivesse sentado na antiga parede do Zé da Quinta em frente ao Clube, ou no café  rodeado de amigos. Uma candura que desarma qualquer argumento. Ontem foi de uma simplicidade sublime que me parecia flutuar alguns metros acima do solo, onde nós pobres pecadores patinhava-mos. Parece que foi esventrado  e lhe colocaram um chip de amor eterno na raiz do coração. Já era assim quando tinha 10 anos, levava pontapés no cú  por se meter em assuntos de adultos. Era comer e calar. Não era Patrão?
 Tal como  antigamente de vez em quando, em nome do amor e da estabilidade ainda engole um camião TIR carregado de sapos, para alimentar egos insaciáveis.  E não me venham com essas merdas do Osvaldo isto, ou aquilo porque … apesar de velha ainda sei distinguir perfeitamente um bouquet de flores naturais de um  artificial.
O Clube pode não ter atividades durante a época ou estar moribundo, mas no dia do aniversário  estão sempre presentes  os sócios que pertencem ao grupo sanguíneo cop.(+). É como o almoço anual dos militares que estiveram no ultramar. Passado décadas e mesmo sem armas nem guerra juntam-se todos os anos. Faz parte do ADN.
Há mais para dizer  mas vou ficar por aqui, porque o bolo de aniversário tinha mais açúcar que o numero de vezes que foi prometida a requalificação da  zona ribeirinha, e além disso os diabetes estão assanhados e estou a ficar almareada.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Apressar o fim


 
«Um terço dos doentes com mais de 65 anos deixou de tomar medicamentos ou toma-os de forma mais espaçada por não ter dinheiro para os comprar.
Outros 30% dos portugueses reduziram as idas ao médico por causa do custo das taxas moderadoras. A conclusão é do relatório Observatório Português dos Sistemas de Saúde.» Aqui.

Sempre pensei que a politica e o humanismo podiam coabitar. Afinal estava enganada. Esta noticia expõe o que de pior têm os governantes. Insensibilidade. Os medicamentos são tão imprescindíveis para os idosos como o pão para a boca, e os médicos funcionam como uma ponte de esperança que separa a vida da morte. Retirar-lhes isto, é como ir  progressivamente reduzindo  o oxigénio a um doente, apressar o inevitável.
 Enquanto somos ativos e contribuintes o Estado suga-nos até ao tutano em impostos deixando-nos  a pão e água, para depois quando aposentados, frágeis e vulneráveis, tira-nos o pão e empurra-nos da ponte.
 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Olhanense SAD

                             Foto e legenda enviada por um leitor não identificado.

A Liga obriga os Clubes a transformarem-se em sociedades desportivas, mas não liga à realidade nem às especificidades de cada um. A criação da SAD não é a resolução para todos os problemas, porque algumas feridas estão longe de se encontrarem cicatrizadas. Entretando sopra uma desconfiança hostil enquanto se engole a angústia. A malta sofre.
Coube aos Sócios escolherem o modelo de sociedade mas confrontados com uma inevitabilidade, reagiram como o Adão, quando a Eva lhe perguntou: gostas de mim? Ele, encolhendo os ombros respondeu: e eu tenho escolha?
Neste momento o Olhanense, para os Sócios, é como ver uma filha a estrebuchar num mar de dúvidas e incertezas, ancorada numa bóia de dívidas forrada de hipotecas.
A salvação, é seduzir e casar com um ricaço estrangeiro que pague os calotes e investa no futuro, porque o amor vem depois. Um herói.
Rezo para que a bola entre na baliza e sejam felizes para sempre, porque se bate no poste; o amor vira ódio, o herói sai como vilão, e a filha fica novamente disponível. Só espero que da próxima vez tenha mais opções de escolha que o Adão.

domingo, 9 de junho de 2013

O tempo não apaga tudo. (nem as pequenas coisas)


Desde a sua construção engracei com este pequeno oásis verde no centro da Freguesia. Passado pouco tempo apanhei uma imprevista desilusão. O canteiro fora destruído e substituído por um espaço para estacionar carros. Quem autorizou? Quem desautorizou? Promessas esquecidas que perderam a validade?

Nunca soube a verdadeira razão para uma decisão tão abrupta, mas creio que seja território inacessível à minha compreensão. Fica esta estranha forma de actuar de quem tem o poder de decidir: Demasiado fortes com os fracos, e estranhamente submissos perante os poderosos.

domingo, 2 de junho de 2013

Os dilemas da Direcção do C.O.P (3)

 Festa de Pechão (1977) - No palco:Evalinda, Osvaldo, Francisco Fanhais e Zeca Afonso.
 
Para a Festa de Pechão, deve a Direcção continuar a contratar artistas sem expressão no panorama musical Português?
Sócio A – Sim. Bons artistas obrigam a um aumento do preço das entradas, e em função da chaga social actual não é uma medida aconselhável. Com artistas famosos ou desconhecidos a Festa é sempre a Festa e o resultado das últimas têm-no demonstrado. Nem o Clube nem os Directores estão preparados para um eventual trambolho financeiro. Risco zero. Não vão as coisas dar para o torto ou S. Pedro pregar-nos uma partida.  
Sócio B – Não. Escudando-se no fado da austeridade, (que ás vezes dá muito jeito) temos levado com os “artistas” que fazem sucesso no mastro do Azinheiro. Parece que o objectivo é apenas cobrar entradas e vender cerveja. A mediocridade nunca gerou sucesso. Um artista de renome arrasta mais pessoas, logo; mais entradas e mais consumo é igual a mais receitas, adicionando a visibilidade, é igual a mais prestígio para o Clube e para Freguesia.
 





segunda-feira, 27 de maio de 2013

Indiferença

Sempre que vou ao Centro de Saúde deparo-me com  uma ou duas tagarelas que numa irredutível simplicidade, esmiuçam as suas maleitas ou  lastimam fatalidades, desafabam, e reparo, que muitas vezes, em vez de conforto e ânimo recebem indiferença e desprezo. Ninguém tem pachorra para ouvir os problemas dos outros, muito menos quando não existem afinidades. Uma dura realidade que se acentua à medida que vamos envelhecendo. Longe vão os tempos em que a civilidade e a solidariedade dos nossos pais a avós eram uma imagem de marca. Ou seja, excluindo os familiares e os amigos que não pedem licença para entrar, só somos socialmente aceitáveis enquanto extravasamos alegria, jovialidade, e sentido de humor.

domingo, 19 de maio de 2013

Os dilemas da Direcção do C.O.P. (2)



Deve o Clube continuar a realizar Bailes?
 
Sócio A – Sim. Desde que sejam bem organizados. Não é chegar à reunião de Direcção e dizer:”Sábado, vamos fazer baile”. Há que elaborar um projecto, definir os objectivos que o estruturem, e conseguir os meios para os alcançarem. Existem muitos e bons meios de comunicação (as redes sociais são um must.) Uma boa divulgação em lugares estratégicos aliada a uma criteriosa escolha musical, rápidamente chega ao conhecimento geral. É evidente, que de início a sala não vai estar cheia, mas com imaginação e insistência vamos voltar a estar no pódio da dança.
 
Sócio B – Não. O chão que já deu uvas e muitos namoricos tornou-se estéril. Existem as discotecas para os jovens, os dancings para a meia – idade e os bailes são associados à terceira - idade. A juventude não tem pachorra para ouvir “fole e guisos” muito menos ter os cotas a vigiá-las. Os últimos bailes (à execpção do carnaval) foram um completo fracasso. Os directores têm que olhar em frente, inovar, abrir os horizontes para a modernidade e libertarem-se dos estigmas do passado. Insistir numa fórmula morta e enterrada, é perder tempo, dinheiro e credibilidade.
 





segunda-feira, 13 de maio de 2013

Os dilemas da Direcção do C.O.P. (1)


Será possível a Sede do Clube voltar a ser o ponto de encontro e um espaço de convívio dos Sócios?
Sócio A – Claro, basta fazer uma escala de serviço (um dia por semana cada Director), escolher as actividades certas, apetrechar o bar e tornar a sala mais apelativa. É óbvio, que na primeira semana a receptividade será diminuta mas, com muita informação e perseverança a Sede pode voltar a ser um espaço de referência. Tudo uma questão de hábito. O segredo para o sucesso: Empenho, Persistência e Criatividade.
Sócio B – Não faz sentido a porta da Sede aberta. Antigamente só existia o Clube e não havia mais opções, hoje existem lugares mais interessantes e acolhedores. No Verão a sala parece uma estufa, no Inverno um glaciar. Sem condições nem motivações. O amor ao Clube vai-se esfumando, as pessoas tem novos hábitos e novos valores. Os tempos são outros, e a história não se repete.

Vote – A sua vontade pode ser um indicador.
Comente – A sua opinião pode ser a solução.





sábado, 11 de maio de 2013

Novo ciclo


 
Ontem, os sócios do C. O. Pechão elegeram os novos Órgãos Directivos para os próximos dois anos.

Mesa Assembleia Geral
Presidente - Vladimiro de Sousa
Vice – Presidente – João Cesário Brás
Secretário – Susana Batista
Direcção
Presidente – Osvaldo Granja
Vice – Presidente – David Brás
Tesoureiro – Paula Guerreiro
Secretário – Sérgio Daniel
Vogais
  Laurentino Norte
 Nuno Granja
João Miguel Silva
André Guerreiro
Conselho Fiscal
Presidente – Leónia Norte
Secretária – Isilda Moreno
Relator – Carlos Humberto Vale
Na história do Clube, a Direcção eleita debateu-se sempre com o legado da cessante. Umas vezes herda passividade, outras, dinamismo. Esta recebe, o Atletismo e o Futsal num patamar elevado. Foi difícil atingir o nível existente, mais complicado será mantê-lo. É de todo razoável aproveitar a embalagem e o empenhamento da Direcção anterior, para voar quem sabe, ainda mais alto. Quanto ao resto; dilemas e mais dilemas.

(a partir de segunda – feira vamos tentar descodificar os dilemas do Clube)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rumos


 
Outrora o povo no alto da sua infinda sabedoria, atribuía nomes, por este ou aquele motivo associados a caminhos e lugares. Agora, são os representantes do povo que reinventam novos nomes, baseados em critérios históricos e fazendo justiça a algumas personalidades.

Desde a metáfora do caminho do afoga burros, à coerência do Caminho do Paraíso, a pessoalização da encruzilhada dos Moços do Zé Lopes, publicidade gratuita no Caminho do Sulbetão e, a origem para definir o destino na  Estrada de Tavira. Trajectos rotineiros, ocasionais, ou obrigatórios. Uns perto, outros nem tanto, tão longe para tantos, e no meio de nenhures para ninguém. Rumos novos, ou renovados.

Hoje, existem conceitos menos terra a terra, mais universais. As estrelas de outrora foram trocadas por  satélites inovadores. Bússolas abençoadas para viajantes perdidos, numa curva duvidosa ou num asfalto estranho. O encontro, ou reencontro com os outros, ou pelo Caminho da Missa, ao encontro de nós próprios.