domingo, 7 de junho de 2009

Também quero


A minha netinha diz-me que é o melhor “Rock da Ribeira” de sempre. (quem é a avó que não acredita nos netos?) Do alto da minha ignorância confesso que não conheço nenhuma banda. Mais uma vez, a voz do futuro explica-me que o meu tempo já passou.

Para quem nasceu antes do Rock, cresceu dançando agarradinha ao som da Orquestra Verde, e fez-se adulta bamboleando as ancas ao ritmo Elvis, não estranhem se avistarem na terça-feira à noite, uma velha batendo o pé ao ritmo de “Coffee Helps”, cantarolar em “ A minha grande culpa” ou abanar o capacete ao som de “Supermodel”.
Já tenho idade para ter juízo? Tenho. Não tenho a noção do ridículo? Tenho. Os velhos têm destas coisas, de repente abandonam o ramerrame diário e avançam contra a corrente.

Sei que vou ser alvo de mexericos e falatório, mas estou-me nas tintas. Ou como diz o Bibi: beijinhos mamã.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Coerente até ao fim


Obrigada Vladimiro por nos revelares facetas menos conhecidas do teu pai. Transcrever o teu texto não é mais que a minha obrigação. Faço o que posso, mas é sempre pouco.

“Ah!, Vladimiro, nunca pensei que a velhice custasse tanto!”

Era desta forma que o meu pai manifestava o seu desencanto e angústia perante o avanço da idade e das maleitas a ela associadas.

Todos os dias ia visitar os meus velhotes, uma, duas ou três vezes, mas pelo menos ao fim do dia, era certo e sabido que nos encontrávamos para um pouco de conversa, mais de política e cultura geral com o meu pai, sobretudo da vida e labuta diária com a minha mãe. Um pouco de conversa e um jornal. Eu comprava-o de manhã, às vezes lia apenas os cabeçalhos e ao fim do dia passava-o para ele, numa cumplicidade rotineira ao longo de muitos anos. Quando o meu pai ia até Olhão, normalmente um dia por semana, para fazer algumas compras e conversar um pouco com os seus amigos da cidade, comprava ele o jornal (ou ofereciam-lhe, como era o caso do “Brisas do Sul”) e eu lia-o na noite.

Ao longo destes anos, pelas nossas mãos passaram muitos títulos, com maior assiduidade para o “Diário”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso” e “Avante”, um dia um, outro dia outro, mas sempre notícias frescas para ler e comentar.

O meu pai sabia ler e escrever bem, mas muito melhor sabia interpretar o que vinha nas entrelinhas, uma aprendizagem feita ao longo de muitos anos da ditadura fascista, nas páginas do “República”, “Diário de Lisboa” e no clandestino “Avante”. Às vezes ficava aborrecido e revoltado com as notícias, comentários e um certo tipo de jornalismo subserviente, parcial e balofo dos grandes meios de comunicação social.

“Ah!, Vladimiro, não basta ser velho se não ainda ter de aturar tanta mediocridade. Dá-me vontade pregar com isto tudo no lixo!”

Mas no outro dia voltava de novo aos jornais e aos recortes dos artigos mais interessantes, às vezes com anotações feitas nas margens do papel. O apelo daquelas folhas era mais forte do que a sua desilusão e amargura…

Tudo isto durou até pouco tempo antes da sua morte, apenas nos últimos quatro ou cinco dias dispensou a leitura dos jornais. O meu pai manteve-se perfeitamente consciente da sua situação até à partida para a última viagem, inclusive foi pelo seu próprio pé, amparado no meu ombro, para a ambulância que o transportou até ao hospital de Faro, onde terminou a sua vida perto das oito horas do dia 17 de Março de 2004. Falei com ele pela última vez às vinte e duas horas do dia anterior, estava calmo e consciente. Lembro-me que tinha os pés muito frios, a minha cunhada Isabel, que me acompanhou e possibilitou a visita, foi buscar uma pequena manta e embrulhou-a nos membros inferiores. Despediu-se de mim com um aperto de mão. Deve ter sido o seu último acto afectuoso!

Para além dos livros, moedas, documentos, apontamentos e poemas inéditos, esses recortes dos jornais, fazem parte do espólio que agora irá ficar disponível na internet, mais propriamente na Biblioteca Guerreiro, um trabalho dedicado, muito bem elaborado e sentido do seu neto mais novo, do meu filho Rui Guerreiro.

“Vladimiro, isto está quase no fim!”

É verdade, parece que ainda ouço estas palavras. O meu pai, o grande Francisco Guerreiro, manteve o discernimento e a consciência até ao fim dos seus dias. Mas também a determinação, o porte, as convicções e os ideais. Como ele estaria orgulhoso com esta iniciativa do seu neto!

Vladimiro Guerreiro

Texto e foto directamente da Biblioteca Guerreiro, ao seu dispor aqui.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

1º Passeio BTT

Clique na imagem para ampliar

Pelo que consta, o meu humilde aposento à beira mato plantado, está na rota do percurso. O que muito me apraz. Vou ter que prender o rafeiro, não vá ele confundir alguma perna bem torneada com uma apetitosa febra. Em caso de súbito cansaço, ou ataque de secura, tenho disponível uma enfusa com água fresquinha e o respectivo cucharro. Na contingência de algum trambolhão, (cruzes canhoto) também se arranja um pouco de gelo. Bom passeio, e força nas canetas.

Para participar levante o rabo do selim, e sprint até aqui.
Dúvidas, perguntas e respostas deixe de pedalar e encoste aqui.

domingo, 31 de maio de 2009

Pechão na TV

Foto - Danilo da Quinta

Até dava jeito


Fotos - Danilo da Quinta

O relógio parou, e a temperatura esfumou-se. O custo da avaria deve ser uma nota preta, em tempos de crise, temos que abdicar do acessório para preservar o essencial.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Biblioteca Guerreiro


A obra literária de Francisco Guerreiro é uma colectânea tão divergente como consentânea. Resume-se a perseverança, coragem, angústia, mas sobretudo, esperança. Seria um sacrilégio este tesouro ficar esquecido nas gavetas da memória. Reactivar e dar a conhecer toda a sua obra, mais que um acto de justiça, é uma forma de perpetuar a memória de um homem, que tendo como alicerce a luta pela liberdade, viveu para expandir a percepção dos seus conterrâneos. Obrigado Rui.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Há dias assim

Redondo fracasso da participação Portuguesa na taça da Europa de Marcha Atlética, em França. A prova arrancou de feição para Vera Santos, Inês Henriques, Ana Cabecinha e Susana Feitor, mas a desclassificação das duas primeiras, que seguiam em 2º e 3º, respectivamente, a duas voltas do fim deitou tudo por água abaixo e a moral da selecção caiu a pique.

… apenas em prova Ana Cabecinha, cujo 13º lugar com 1.38,01 horas, acabou até por surpreender (pela negativa) a atleta alentejana. “Não estou a valer este tempo. Nem no meu primeiro ano de sénior fiz um tempo destes. Mas terminar aqui já foi bom, pois até quarta-feira estive para não vir”., diz, acrescentando: “É daquelas sensações muito raras, quando estamos felizes por terminar, mas seria péssimo para Portugal não chegar ao fim uma só atleta. Ficou enorme frustração de termos uma equipa maravilhosa num excelente momento de forma, a quem não deixaram traduzir essa superioridade na estrada.

(A Bola - 25/05/2009)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

C.O.Pechão: 60 anos - 24 Presidentes (9)

José Nicomedes Calé
“O Assíduo”
Empenhado de tal forma, que durante o seu mandato (1972), todas as noites sem excepção marcou presença na Sede do Clube. Noites vivas e movimentadas fizeram do Clube um autêntico ponto de encontro. Algumas críticas referentes a práticas usuais na época. Sem grande fulgor mas com dedicação e assiduidade.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma outra visão

Foto - daqui

Susana Mendonça - Candidata da CDU à Junta Freguesia de Pechão

Imparcial
“...não sou de cá e por isso é-me mais fácil ter uma visão mais objectiva dos problemas da freguesia e da população; uma visão isenta das histórias e relações familiares e pessoais que muitas vezes interferem de forma mais ou menos directa nas decisões que se tomam.”

Preocupada
“...construção desenfreada a que se assiste sem qualquer ordenamento aparente, ou do aumento exponencial de tráfego a passar no centro da aldeia”
Espírito de equipa
“Quero uma equipa a trabalhar comigo e não uma equipa a trabalhar para mim”
Pragmática
“… as propostas que apresentarei para a Freguesia têm de ser exequíveis.”

Informada
“O Clube Oriental de Pechão que em matéria de desporto e de cultura - na vertente da preservação das tradições locais - tem feito um bom trabalho.”

Pequenos excertos extraídos da entrevista concedida ao jornal “Brisas do Sul”. Por isso, correm o risco estar descontextualizadas. Para uma análise coerente e profícua, convêm ler a entrevista na sua totalidade aqui
.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Futsal em Festa


Fomos vencedores do torneio de abertura de Futsal Seniores 2ª Divisão da Associação Futebol do Algarve.

Garantimos na penúltima jornada a subida à 1ª divisão Distrital.

Convidamos desde já os amantes do Futsal a juntarem-se a nós no último jogo do campeonato dia 23 Maio pelas 17h no Pavilhão Municipal de Olhão.

Vamos comemorar a subida de Divisão do Futsal do Clube Oriental de Pechão!

Nota imprensa do C.O.P.

sábado, 16 de maio de 2009

C.O.Pechão : 60 anos - 24 Presidentes (8)

Cesário Braz
"O Patrão"

Tal como um pai babado participou activamente nas três fases da vida do Clube: nascimento, adolescência, e maioridade. Tão intensa e afectuosa foi a sua relação, que se moldou, e fundiu no mais profundo amor. Foi um Presidente que se divertiu, sofreu, riu, e chorou conforme os estados de alma. Encarnou o espírito do Clube como poucos, vivendo-o intensamente. Ainda hoje, a caminho dos 80 anos sempre que lhe recordam tempos idos, uma lágrima marota solta-se pelos sulcos de um rosto marcado pelo tempo. “O Patrão” como carinhosamente é tratado, tem lugar cativo no coração de todos os que tiveram o privilégio de conviver com ele. Para a história fica sem dúvida a imagem de um dirigente de raça e paixão. Um símbolo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quem me ajuda …


…foi a designação que o Danilo elegeu para esta foto da Ponte Velha. Relembrando e realçando os sinais exteriores de deterioração. Em Outubro de 2007 já tínhamos abordado o assunto. Nada se alterou. Provavelmente as entidades competentes têm pareceres técnicos que permitem garantir a solidez da ponte, não existindo motivo para acções de prevenção.


Recordando os comentários efectuados na altura, destaco o do Maldonado. Escalpeliza o assunto em questão, dá-nos uma profícua lição de história, e elege as prioridades da Freguesia. Tudo salpicado com remoques pertinentes e convincentes. Demagogia para uns. Na mouche para outros.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Psst, psst, Sr. Carro! dá-me licença que passe?

e

Frequentemente os passeios na Rua 25 de Abril estão ocupados por veículos estacionados ilegalmente, num acto de desrespeito pelos peões, penalizando especialmente os idosos, com a conivência das autoridades e a passividade dos Pechanenses. Alguns queixam-se da ausência de locais para estacionar. É discutível, mas não é atenuante. Lei é lei: Dirão outros.

Se um automobilista estacionar em cima do passeio, mas deixar espaço suficiente para os peões passarem sem perderem a aderência nem fazerem contorcionismo, embora ilegal, por mim tudo bem. Resignada e amolecida, contorno o carro e esqueço a lei. Afinal, Pechão não é propriamente um centro urbano, onde as pessoas não têm nome e os carros dono.Sintomas da idade, dirão vocês.

Mas sempre que necessito de ir às compras, e desenferrujar a língua à da Maria do Rosário, e os pópós ocupam a totalidade do passeio, que nem uma nesga descortino, fico fula, e só me apetece fazer isto.

Antigamente, ágil, para atravessar a ribeira, pé ante pé, equilibrava-me sobre as pedras num verdadeiro número de equilibrista. Bastava uma simples escorregadela e ficava com os pés encharcados. Agora pesada e sem reflexos, ao pisar o asfalto, basta um pequeno percalço, e na melhor das hipóteses arrisco-me a ficar… sem pés.

sábado, 9 de maio de 2009

C.O.Pechão : 60 anos - 24 Presidentes (7)

João Adelino Pereira Saleiro
“ O Sequaz”
Foi Presidente em 1967, tempos de menos fulgor, e em 1974, o ano de todas as convulsões. Calmo, discreto, numa fase de complexa transição teve o bom senso de não tomar resoluções ditadas pela emocionalidade vigente. Limitou-se a gerir serenamente, pois a conjuntura actual não permitia grandes alardes. Pode parecer um paradoxo, mas não tomar decisões foi a sua melhor decisão.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Hábitos de vitória


Enviaram-me esta foto, sem palavras nem referências. Imagino que seja um teste aos meus conhecimentos e um desafio a uma memória bolorenta. Provavelmente uma foto tirada depois de mais uma vitória a acrescentar ao vasto palmarés do Atletismo.

Pelas feições, deduzo que o nº 10 seja o neto do Paulino. Inconfundível, o neto da Maria Joaquina afamada costureira. Sorridente, o filho da Maria José, e descendente em segundo grau da mais famosa fazedora de alcofas de Pechão. O simpático neto da Lucinda Salera, incansável trabalhadora nas ásperas marinhas. Com algumas reservas, penso que o nº 3 herdou os genes da avó Marçalina, trabalhadora incansável de sol a sol. Os outros são bem-parecidos, mas uns perfeitos desconhecidos para mim

segunda-feira, 4 de maio de 2009

C.O.Pechão: 60 anos - 24 Presidentes (6)

António Sousa Guita
“O Criterioso”
Alicerçado nos seus 58 anos, uma posição social relevante, e uma situação económica favorável, conferiram-lhe estatuto e autoridade. Pressupostos que lhe permitiram gerir entusiastas e cépticos, com mestria e sem danos colaterais. Foi um Presidente respeitado e respeitador que pautou o seu mandato pelo equilíbrio e coerência.