…
foi o dia em que ela gritou, liberdade. Livre de crises existencialistas, de
convenções sociais, e da perseguição policial. Sem juras de fidelidade, mas obcecados
pela frontalidade viveram à sua maneira, sem dar cavaco a ninguém e mandando ás malvas os cânones estabelecidos.
Tão felizes, quando se enleavam um no outro , como, quando ficavam com as
migalhas que sobejava das infidelidades. Uma história de amor umas vezes ciclónica, outras cândida, mas que
em matéria de emoção deu uma abada ao monocórdico
Romeu e Julieta. Ao contrário do que Camões dizia, este amor é um fogo que arde e se vê, e com labaredas bem altas, que chamuscou todos os tentaram apagá-lo. Faz hoje quarenta anos que ela foi ter com o seu amor (e o meu herói), mas apesar do mundo não estar preparado para eles, ninguém lhes pode levar a mal. E já agora " show me the way to the next whiskey bar".
sexta-feira, 25 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Tenho medo...
segunda-feira, 3 de março de 2014
A Auditoria
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| Via Bate - Estacas |
Passados quatro meses, consta que
apesar de deterem a maioria, os partidos da oposição divergem sobre o que
anteriormente os unia: a auditoria. Por mim, é indiferente que chegue pela mão
do partido A, B, ou C, o essencial é que chegue, e quanto mais cedo melhor. Os
eleitores merecem saber quem fala verdade e quem mente.
Fico perplexa, perante a incapacidade
das pessoas não perceberem quando devem ser competitivas, ou quando devem
cooperar. Mais, considero-os inteligentes e desempoeirados e vê-los patinar num
pântano de suspeição, deixa-me desolada. E danada, por ter de dar razão à minha
vizinha, quando ela diz: “ Ó ingénua, quando estão de fora são todos muito
bons, mas quando se apanham no poleiro são todos iguais.”
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Tem dias ...(1)
… em que sou atacada pela aquela ânsia parva que me leva a dizer sim, quando devia dizer, não. Ou, a falar, quando as circunstâncias aconselham o silêncio. Apenas, porque sim. Esta sucessão de derrotas contra os meus esqueletos amontoados no armário, deixam-me estarrecida . Num desconforto desalinhado, que se infiltra pelas frestas desta fragilidade incurável e me irriga as entranhas. Corroí e corroí. Engulo a angustia mas engasgo-me com o orgulho. Bato com a cabeça na parede. Arrependo-mo. Mas não aprendo.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Acanhados
Não sei por que carga de água a minha neta me convidou para assistir ao jogo dos juniores. Mas desconfiou que enquanto eu olhava para o jogo em geral, ela olhava para um jogador em particular. A verdade é que o meu poder de análise e a minha capacidade crítica estão como a popularidade dos políticos, abaixo de cão. Mesmo assim, arrisco a dizer que notei alguma intranquilidade encoberta em muita qualidade individual, e uma autoconfiança como a minha reforma. Baixa. E vocês perguntam: “Ó velhota como é que chegou a essa conclusão?” São muitos anos a virar frangos. E um passe no espaço, quando devia ser no pé, um alívio para o desconhecido, quando existem linhas de passe, ou esperar atrás quando se justificava pressionar na frente, são como o algodão. Não enganam. O treinador percebeu, e a equipa soltou-se mais na segunda parte. O guarda-redes da primeira parte foi uma surpresa positiva e o da segunda, uma confirmação garantida. Escusado dizer que mal acabou o jogo, a minha neta mandou-me apanhar boleia e chegou às 3 da manhã.
Jogo – Pechão-Pedra Mourinha / Resultado – (3-3) Vitória do C.O. Pechão na marcação de grandes penalidades.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
A excepção
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| Recortes gamados ao Paulo Murta |
Já esgotei todos os adjectivos elogiosos à Ana, por isso, não
os repito para não os vulgarizar. Quanto ao valor dela, estamos conversados. É legítimo,
qualquer atleta sonhar ter melhores condições financeiras e de treino,
treinadores de primeira água, câmaras de televisão, máquinas fotográficas e
microfones à mão de semear, em suma, transferir-se para o centro do mundo onde
tudo acontece, ou seja, representar um daqueles clubes que ganham campeonatos,
taças, ou medalhas com a mesma facilidade com que o governo nos depena.
O engraçado da questão é que a todos os convites ela chuta para canto, alguns insistem, mas a rapariga não está para ai virada. Desconheço a razão. Mas se ela não quer trocar uma vivência onde é idolatrada por lugar onde é apenas tolerada, se prefere viver em Pechão do que na Capital, se gosta mais de treinar pelas veredas da Charneca do que numa pista topo de gama, se acha que os conselhos do Murta são mais importantes que os métodos científicos de um treinador catedrático, se reconsidera estas e outras realidades, e não se importa da esquelética conta bancaria, então, Valha-me Céu Bendito! Curve-me perante a Deusa, e peço ao Murta para esteriliza-la antes de cada prova, não vá o vírus da ambição desmedida contagiá-la.
O engraçado da questão é que a todos os convites ela chuta para canto, alguns insistem, mas a rapariga não está para ai virada. Desconheço a razão. Mas se ela não quer trocar uma vivência onde é idolatrada por lugar onde é apenas tolerada, se prefere viver em Pechão do que na Capital, se gosta mais de treinar pelas veredas da Charneca do que numa pista topo de gama, se acha que os conselhos do Murta são mais importantes que os métodos científicos de um treinador catedrático, se reconsidera estas e outras realidades, e não se importa da esquelética conta bancaria, então, Valha-me Céu Bendito! Curve-me perante a Deusa, e peço ao Murta para esteriliza-la antes de cada prova, não vá o vírus da ambição desmedida contagiá-la.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
De costas voltadas
Quando
num círculo de amigos, dois entram em rota de colisão, e pelo facto de a
desavença não estar relacionado como o grupo, aos outros, pede-se recato,
aconselha-se distância e ouvem-se as partes, para não se condenar antes de ser julgado. Os que que zangaram devem entender o que os divide,
aos outros, exige-se que promovam a reconciliação. Mas quando as posições são extremadas
e as tentativas infrutíferas; a reconciliação soa a heresia, o perdão é um
termo vazio, e o esquecimento é um crime. Por questões de honra o processo de
vingança é pessoal e intransmissível, afinal o equilíbrio só se repõe com o
algemado acerto de contas. Como não existem testemunhas, e os verdadeiros
motivos da zanga só eles sabem, e a eles diz respeito, as leis pouco podem
fazer. Resta o volátil tribunal popular e o malandro do tempo. O primeiro é
como o catavento, o segundo é como o azeite.
Aviso à navegação: isto é apenas um
mero exercício de ficção, qualquer semelhança com factos reais é fruto da vossa imaginação.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
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| Pechão na Fonte - Santa |
Vem isto a
propósito de hoje de manhã, encontrar restos de comida a sair de um saco de
plástico dentro do contentor do lixo que dava para alimentar duas pessoas, talvez
três se estiverem em dieta.
No tempo da ditadura,
a fome era assumida e a pobreza estava em maioria. Os que tinham escassos recursos
e viviam com dificuldades, dividiam a comida irmãmente e rapavam o prato até
deixá-lo pré - lavado, e os que não tinham nada, andavam de porta em porta a
esmolar. Mas sempre que batiam a uma porta, ela abria-se, e recebiam um naco de
pão com toucinho, ou um punhado de figos torrados, acompanhado de uma palavra
amiga, e temperado com um sorriso complacente, tudo servia para acalmar o estômago
assanhado e o espírito embargado. O sofrimento e as dificuldades generalizadas entrelaçaram
as pessoas e geraram um enorme sentimento de partilha. (Sim. É o que estão a
pensar! Dar sem esperar nada em troca.)
As pessoas mudaram e os conceitos também. Agora,
para gáudio dos Troikanos e angústia da plebe, os pobres silenciam a fome e os
esfomeados procuram alimento no lixo, ou seja, ganhou-se vergonha de ser pobre
e perdeu-se o sentimento de partilha. Apesar disso e também por isso, um Bom
Natal para todos.
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